Deus, com toda certeza, pinçou em Santo Amaro da
Purificação Emanoel Araujo. O grande garoto com seu olhar de lince, atravessou o sertão
e aportou em Salvador-Bahia, editando gravuras e livros, criando esculturas, até dirigir
o Museu de Arte da cidade. Exposição... parece um termo restrito quando realizado
por Emanoel. As suas são verdadeiras aulas de cenografia, sensibilidade e emoção. Felizmente, veio para o nosso convívio, solto no universo, sempre pesquisando com alma, critério e determinação. Admirado por todos, transformou a tímida Pinacoteca do Estado em um centro de arte atuante: limpou e organizou os arquivos, restaurou os quadros do acervo e os expôs com maestria, conseguindo mesclar o bucolismo do início do século com a modernidade sábia de Paulo Mendes da Rocha. As vibrações saltaram os muros daquele esqueleto de tijolos, surgindo então um espetáculo chamado Pinacoteca do Estado. Desejo aqui, prestar com o devido respeito, a homenagem ao homem que conseguiu atravessar de maneira brilhante, todas as barreiras que lhe foram colocadas. Em nome da comunidade nacional, dos artistas, restauradores,
museólogos, colecionadores, marchands, antiquários, criticos e apreciadores
de arte, Paulo Vasconcellos Agosto/99 |