51.gif (32850 bytes)
Emanoel Araújo

Deus, com toda certeza, pinçou em Santo Amaro da Purificação Emanoel Araujo. O grande garoto com seu olhar de lince, atravessou o sertão e aportou em Salvador-Bahia, editando gravuras e livros, criando esculturas, até dirigir o Museu de Arte da cidade.

Emanoel, um artista em todos os sentidos, em todos os momentos. Seja ao montar uma exposição, ao diagramar um livro, ao cozinhar manjares sagrados, como o Amalá de Xangô-Carurú, ou o Acarajé, ou ainda o Ecurê, ao se vestir com elegância própria ou no modo como dispõe os objetos e obras de arte em sua própia casa.

Exposição... parece um termo restrito quando realizado por Emanoel. As suas são verdadeiras aulas de cenografia, sensibilidade e emoção.
Ter um Agnaldo dos Santos a dois metros
de altura (nos colocando em posição total e merecida reverência) a um Aleijadinho sobrevoando os salões
da Fiesp, deixando todos extasiados com a
criatividade e técnica de suas belíssimas e inesquecíveis montagens, que só ele sabe realizar.

Felizmente, veio para o nosso convívio, solto no universo, sempre pesquisando com alma, critério e determinação. Admirado por todos, transformou a tímida Pinacoteca do Estado em um centro de arte atuante: limpou e organizou os arquivos, restaurou os quadros do acervo e os expôs com maestria, conseguindo mesclar o bucolismo do início do século com a modernidade sábia de Paulo Mendes da Rocha. As vibrações saltaram os muros daquele esqueleto de tijolos, surgindo então um espetáculo chamado Pinacoteca do Estado.

Desejo aqui, prestar com o devido respeito, a homenagem ao homem que conseguiu atravessar de maneira brilhante, todas as barreiras que lhe foram colocadas.

Em nome da comunidade nacional,  dos artistas, restauradores, museólogos, colecionadores, marchands,  antiquários, criticos e apreciadores de arte,
os agradecimentos a Deus, a seus pais, 
e a Santo Amaro da Purificação pela graça de termos
o prazer de sua presença entre nós.

Paulo Vasconcellos
VI Salão de Arte e Antiguidades

Agosto/99